“Amar é mudar a alma de casa.”

“Amar é mudar a alma de casa.”

"É fácil amar o outro na mesa de bar, quando o papo é leve, o riso é farto, e o chope é gelado. É fácil amar o outro nas férias de verão, no churrasco de domingo, nas festas agendadas no calendário do de vez em quando. Difícil é amar quando o outro desaba. Quando não acredita em mais nada. E entende tudo errado. E paralisa. E se vitimiza. E perde o charme. O prazo. A identidade. A coerência. O rebolado. Difícil amar quando o outro fica cada vez mais diferente do que habitualmente ele se mostra ou mais parecido com alguém que não aceitamos que ele esteja. Difícil é permanecer ao seu lado quando parece que todos já foram embora. Quando as cortinas se abrem e ele não vê mais ninguém na plateia. Quando o seu pedido de ajuda, verbalizado ou não, exige que a gente saia do nosso egoísmo, do nosso sossego, da nossa rigidez, do nosso faz-de-conta, para caminhar humanamente ao seu encontro. Difícil é amar quem não está se amando. Mas esse talvez seja, sim, o tempo em que o outro mais precisa se sentir amado. Eu não acredito na existência de botões, alavancas, recursos afins, que façam as dores mais abissais desaparecerem, nos tempos mais devastadores, por pura mágica. Mas eu acredito na fé, na vontade essencial de transformação, no gesto aliado à vontade, e ,especialmente, no amor que recebemos, nas temporadas difíceis, de quem não desiste da gente."
Ana Jácomo (via cantoqualquer)

(Source: cinquenta-receitas, via makesfeelalive)


 
Eu tenho uma força incrível dentro de mim. A cada dia descubro que o mais importante é estar com o coração em paz. As pessoas só roubarão a sua paz se você permitir! Só te deixarão perder o controle se você não estiver com os pés no chão. Nem sempre é fácil lidar com alguns tipos de sentimentos. A raiva, por exemplo, corrói a alma; então para que sentí-la? Afaste-se de TUDO que te faz mal, tudo que te dá uma falsa sensação de felicidade. Pode ser difícil no começo, mas é recompensador!Quando tudo parece dar errado, acredite: Você NUNCA pode desistir de si mesmo. Não se pode ser infeliz, não se pode morrer em vida, não se pode desistir de amar, de criar. Não se pode! É pecado! É proibido! (…) Não é possível adiar a vida! Nunca subestime o poder de suas ações. Basta um pequeno gesto para mudar a vida de uma pessoa para o bem…ou para o mal.(Desconhecido) 

 

Eu tenho uma força incrível dentro de mim. A cada dia descubro que o mais importante é estar com o coração em paz. 

As pessoas só roubarão a sua paz se você permitir! Só te deixarão perder o controle se você não estiver com os pés no chão. 

Nem sempre é fácil lidar com alguns tipos de sentimentos. A raiva, por exemplo, corrói a alma; então para que sentí-la? Afaste-se de TUDO que te faz mal, tudo que te dá uma falsa sensação de felicidade. Pode ser difícil no começo, mas é recompensador!

Quando tudo parece dar errado, acredite: Você NUNCA pode desistir de si mesmo. Não se pode ser infeliz, não se pode morrer em vida, não se pode desistir de amar, de criar. Não se pode! É pecado! É proibido! (…) Não é possível adiar a vida! 

Nunca subestime o poder de suas ações. Basta um pequeno gesto para mudar a vida de uma pessoa para o bem…ou para o mal.

(Desconhecido) 

Egoísmo

Hoje o dia não está sendo um dos melhores das últimas semanas - que diga-se de passagem, foram maravilhosas, como há muito não eram.

Geralmente quando bate uma bad, por mínima que seja, automaticamente começamos a dar uma reavaliada em várias coisas da vida - pelo menos comigo é sempre assim e desconfio que é porque gosto de pensar muito sobre tudo mesmo - e hoje não está sendo diferente.

Desde que acordei, não sai da minha cabeça sobre o quanto é difícil aceitar certas coisas mesmo sabendo que é o melhor pro outro e em muitos dos casos, melhor pra nós mesmos, só pelo fato de querermos tudo pra nós, sejam responsabilidades, cuidados, proteção, controle, pessoas, etc…só porque queremos tudo do nosso jeito não importando se o outro sairá ou bem ou não da história. Como é difícil aceitar que precisam ficar um pouco longe da gente às vezes, por N motivos, sejam eles bons ou ruins. Como é difícil apoiar, ajudar, fazer as coisas acontecerem, quando na verdade o que queremos é deixar tudo no lugar que está e consertar o que precisa ser consertado ali mesmo.

Hoje está sendo um dia difícil por conta de um motivo específico. Sei que amanhã será igual hoje e isso me deixa um pouco pior, mas espero, de verdade, que os outros dias sejam mais tranquilos e consequentemente mais fáceis e que antes de entenderem e absorverem o que precisa ser entendido e absorvido, que EU consiga fazer isso.

Como é foda ter que ser atriz/ator por algumas horas e sorrir quando por dentro você está desabando. Como é difícil não sermos egoístas…

Decisões difíceis mas que infelizmente, ou não, precisam ser tomadas. Mas como é inevitável o coração apertar, a lágrima rolar, o medo aparecer, inclusive junto as dúvidas…as benditas dúvidas.

Hoje é um desses dias em que eu queria deitar a cabeça no colo de alguém e ficar ali…sem dizer nada e pelo menos tentando não pensar em nada.

Viviane Mclean


Ontem e hoje

Quem nasceu até o início dos anos 90, certamente lembra o quanto a infância e adolescência era diferente da de hoje em dia. Me lembro quando se fosse ontem, que na volta do colégio, lá pelas 18hs, era de lei se juntar com todos os amigos que moravam na mesma rua pra brincar, às vezes ainda com o uniforme do colégio, muitas vezes descalço, até tarde e de brincadeiras que talvez a galera de hoje nem saiba direito o que/como é. Pra ir pra casa, bastava minha mãe sair no portão e me chamar. Putz, como era gostoso isso. Só não foi gostoso quando desci uma rua de paralelepipedo rolando duas vezes no mesmo dia e fodi meus joelhos. Também não foi muito legal e quando desci uma outra rua, só que de asfalto mesmo, igualmente rolando e ralei meu corpo inteiro e MUITO menos quando caí de bicicleta depois de trombar com outra menina que também andava e quebrei meu pulso esquerdo em três lugares. Gente, como eu me divertia apesar dessas coisas. Aliás, tenho mil e uma histórias e olha que minha infância terminou super cedo por causa de trabalho.

Na adolescência, que era quando a gente tinha um pouco mais liberdade pra se afastar um pouco de casa, os meninos costumavam se juntar na casa de um dos amigos pra jogar video game, futebol, etc.

As meninas iam na casa umas das outras pra conversar sobre qualquer assunto - que geralmente girava em torno de meninos nessa época -, ver clipes na MTV das boy bands atuais, fazer cineminha com muito brigadeiro de panela…

Sempre senti falta de tudo isso depois que viver conectada se tornou mais frequente do que viver desconectada. 

Tenho pra mim que até os anos 90 valorizava-se mais a presença e suas consequências, pois não era tão fácil se comunicar com o outro como é hoje em dia com todas as tecnologias que temos e a evolução das comunicações. Claro que essa evolução também trouxe suas dificuldades, que é, por exemplo, conhecer alguém de muito longe e não poder estar com ela, mas você pode falar com ela sempre que quiser, o que torna o sentimento de saudade, extremamente diferente do de antigamente.

Namorei com o Formagio quase 6 anos. Tínhamos um Fotolog e um pessoal costumava se encontrar em alguns pontos de São Paulo, tipo Ibirapuera e Avenida Paulista aos finais de semana pra se divertir e tirar mais fotos pra alimentar o perfil no site. Foi num desses rolês que nos conhecemos e semanas depois começamos a ficar e não nos largamos mais.

Nesses quase 6 anos, o namoro foi, naturalmente, como os de hoje em dia, ou seja, muito messenger, telefone e redes sociais. Fácil e prático, como boa parte das coisas hoje em dia. Porém, sempre pensei em como seria ter um relacionamento onde as coisas aconteciam mais pessoalmente do que virtualmente. Poxa, às vezes você quer contar alguma coisa, uma novidade e ver a expressão/reação da pessoa, quer discutir e falar todas as “verdades” olhando nos olhos do outro e isso não era TÃO permitido por causa da internet. Criaram-se obrigações que não precisavam ter sido criadas. Teve uma época em que eu quis “forçar” isso, essa presença e suas consequências, com um casamento (claro que não foi só por isso, mas era muito por isso também). Cogitamos, corremos atrás de várias coisas (casa, local da festa, vestido, etc), falamos pra algumas pessoas da família e amigos, mas por mais que o relacionamento tivesse sido longo, não era esse o caminho certo pro momento, por diversos motivos.

Nas últimas semanas (quase meses) tenho vivido muito isso tudo que eu sempre quis viver, especialmente com amigos e família e aconteceu de forma natural e sem planejamento. Me tem feito MUITO bem. Claro que há momentos em que eu acho certas atitudes absurdamente estranhas, mas imagino que é porque rola um conflito entre essas duas “fases” da minha vida e por ainda estar aprendendo muita coisa. Por mais “conectado” que o outro seja e desde MUITO antes de mim, as coisas acontecem de verdade pessoalmente e não existem regras ou obrigações e nem por isso as coisas deixam de ser fáceis e práticas. Por essa grande diferença de uma convivência pra outra, tenho aprendido coisas que eu precisava MUITO aprender e urgente. Quando acontece o encontro, a sensação da presença é diferente e se não nos “podarmos” todas as vezes o papo rola até amanhecer o dia. 

Conhecer alguém assim, cara a cara, olho no olho, etc, pra mim, é muito melhor do que virtualmente, por tudo o que eu disse, mais um milhão de coisas e também porque você deixa de ter costumes virtuais em relação a vida do outro que costumava ter.

Se eu pudesse, separaria minha vida em duas partes:
1 - Vida pessoal ser vivida de forma “antiga” em relação a convivência com outras pessoas (mais amores, amigos e família, que são quem fazem alguma diferença na minha vida, nos meus sentimentos, etc do que o restante);
2 - Vida profissional ser vivida de forma “atual”, pois meu ganha pão depende de tudo o que a internet pode proporcionar =D

Seria animal, mas da forma que tá já tá bem bacana e suprindo bem o que eu tanto queria e precisava =) 

Viviane Mclean


Mudanças

Sabe aquela vontade de mudar toda a vida, num estalar de dedos? Ela está de volta depois de anos. Eu que pensei que ela jamais voltaria, ainda mais depois de ter resistido a tantos acontecimentos que caem como chuva meses a fio. Se fosse há algum tempo, certamente já teria mudado tudo logo pra me livrar de muita coisa, inclusive de lembranças e algumas convivências, mas acho que fui mais forte do que das outras vezes, a ponto de ter essa vontade somente agora - e isso não é fraqueza -, com o último acontecimento que julgo ter sido o pingo d’água que faltava pro copo transbordar. Engraçado é que geralmente quando isso acontece, quando essas vontades surgem, parece que o universo conspira absurdamente a favor e muita coisa acontece pra que tudo se torne realidade. Dessa vez não foi diferente.

Das outras vezes em que essa vontade veio me perturbar, consegui mudar tudo, inclusive de casa e cidade - que já era algo bastante difícil -, mas uma coisa eu não conseguia: Me desprender de pessoas que eu havia deixado pra trás, que geralmente eram família ou um amor… Foi aí que me peguei pensando no que me prendia aqui onde estou agora.



Surpreendentemente - ou não - me deparei com um NADA. Foi tão estranho, ainda mais porque pessoas sempre foram extremamente necessárias pra mim. Nunca soube o que era ficar sozinha e confesso que nunca quis saber também. Nasci numa família grande, cresci numa casa cheia de gente, sempre fui rodeada de muitas pessoas. Mas acho que os tapas que a vida me deu na cara nos últimos tempos fez com que eu me desprendesse demais das pessoas, de uma forma que acabei permitindo que elas também se desprendessem de mim. Triste? Não sei. Real? Certamente. Estava - acho que ainda estou - precisando ficar sozinha e talvez tenha passado do limite que me cabia. A gente nunca sabe qual é o limite pra nada até que se depare com situações que denunciam isso. 

Lado ruim? Sinto falta de pessoas, de gargalhadas, de bate papos sem pretenções…
Lado bom? Acho que estou aprendendo a gostar da minha companhia e aprendendo a viver e conviver comigo mesma e mais ninguém, numa boa, da forma mais natural possível. Confesso que eu não sabia e nem achava que isso era possível.

Atualmente acho que um dos motivos pela minha vontade de mudar, na verdade, é achar que aqui não é meu lugar e uma proposta só me fez ter mais certeza disso. Acho que esse é o momento perfeito pra mudar totalmente de ares e meio que começar a vida do zero conhecendo outras pessoas, outra cultura, outra rotina…

Espero e QUERO me adaptar a ponto de esse lugar se tornar O MEU lugar e eu não querer mais voltar pra ficar, principalmente por ter algo ou alguém me esperando. Sem dúvida é uma das primeiras coisas que vou me permitir. Acho que já chega de ter medo. Finalmente estou prestes a realizar um sonho antigo (ok, não tão antigo, desde 2009, que foi quando conheci Buenos Aires e surgiu em mim uma vontade imensa de viver fora de SP, do Brasil) e vou aproveitar o máximo que eu puder dele, tornando minha vida exatamente o que eu quero pra mim em todas as partes que eu puder.

Acho que estava faltando esse “empurrãozinho” da vida, esse tapa pra que eu acorde em N situações, essa injeção de adrenalina, de que em breve tudo vai ser novo de novo, enfim, pra que uma leve animação tomasse conta de mim, dos meus dias pra a cada coisa que eu julgar ruim que acontecer, eu poder dizer mentalmente: Calma, Viviane. Falta pouco. Já já tudo isso fará parte de um passado mais que distante, literalmente.

Talvez seja hora de recomeçar, também, minha vida virtual. Tudo novo de novo MESMO. Até lá pensarei.

Viviane Mclean 


Tenho medo de sentimentos. Todos eles.

Sentimentos são traiçoeiros e independente de serem bons ou ruins hoje, um dia, vão te fazer sofrer até chegar aquele momento de você não conseguir mais suportar.

Viviane Mclean


Desistência

Ela sempre foi sensível a sentimentos. Todos eles. Vivia cada um da forma mais intensa possível. Eles costumavam transbordar através de palavras, ações… Era difícil conter. 

Ser assim nunca foi proposital. Cansava de dizer que se pudesse escolher, viveria apenas um pouco de tudo e estaria tudo certo. Dessa forma o coração e a mente seriam mais tranquilos e ela não deixaria de sentir o que qualquer ser humano comum sente. Mas não tinha muito o que fazer uma vez que esse tipo de coisa era só mais uma marca de sua personalidade forte.

Certo dia ela amanheceu estranha. Durante o banho matinal ficou pensando a respeito e tentando entender. Não demorou até perceber que estava…neutra?! Curioso. Estaria tudo finalmente em equilibrio? Hum. Seria bom demais pra ser verdade.

Enquanto enxugava os cabelos e pegava uma xícara de café, avistou um livro - que havia encostado por uns dias - aberto ao meio e uma folha dobrada em cima.



Curiosa, abriu e leu:

“Confesso que ando muito cansado, sabe? Mas um cansaço diferente. Um cansaço de não querer mais reclamar, de não querer pedir, de não fazer nada, de deixar as coisas acontecerem.”

- Caio Fernando Abreu

Aquilo a preencheu e deu sentido ao que a encucava. 

Ela havia dito e feito tudo o que havia pra dizer e fazer, portanto, os sentimentos automaticamente se acalmaram e a tranquilidade tomou conta de todo o seu coração, mente e alma.

Desistência… É.

Viviane Mclean


Tempo. BENDITO tempo!

Estava frio e chovia. Talvez isso explicasse o trânsito mesmo que tarde da noite. Comia o último chocolate que tinha na bolsa enquanto arrancava o esmalte da unha. Reações típicas de ansiedade. Nos intervalos - de dois em dois minutos - das espiadas no celular pra ver as horas, se havia mensagem nova, reply, DM, ou qualquer coisa, olhava o caminho, as luzes da metrópole, as pessoas bebendo nos bares, rindo, se divertindo…tudo através da janela enfeitada com gotas de chuva.

Gotas de chuva na janela de um carro

No pensamento, somente as lembranças de tudo o que foi vivido há pouco.

Que loucura! Como foi intenso! Que saudade de tudo! - Pensava.

O riso era involuntário, daqueles meio desacreditados de que havia MESMO vivido tudo aquilo e exatamente daquela forma. Não achava que era merecido, uma vez que não estava acostumada com a vida oferecendo coisas tão boas assim, de mão beijada.

- Moça, pelo número que a senhora (?) me deu, acho que é aqui. - Disse o taxista, interrompendo os pensamentos.
- É aqui sim. Quanto deu?
- R$45,00.
- Aqui está. Obrigada e bom trabalho. Pode ficar com o troco pra tomar um café e se esquentar nessa noite gelada.
- Muito obrigado! Divirta-se!

Ao entrar no local, sentiu uma coisa estranha, como se tivesse esquecido algo. Logo percebeu que realmente havia esquecido e no Taxi: Tudo o que havia na mente e no coração, todo esse tempo, desde o início, sobre tudo o que havia vivido e acabado de pensar, relembrar, se indignar… Parou no corredor por uns segundos, sem reação por não entender aquilo. Continuou, embora a vontade fosse dar meia volta rumo a sua casa. Mas precisava levar aquilo adiante, até o final, pra comprovar o que por um breve segundo passou pela sua cabeça.

É…realmente. O olhar já não era mais o mesmo, a presença já não surtia mais o mesmo efeito, o coração não batia mais da mesma forma… A razão e o coração, pela primeira vez, estavam no seu devido lugar. Tudo estava em equilíbrio. Parecia que nada havia acontecido todo esse tempo. Dessa vez foi diferente. Foi estranho. Já não era mais a mesma coisa.

O que é isso? Está ficando maluca? Onde você colocou a caixinha com todos os momentos, sentimentos e tudo mais? - Falava em pensamento pra si mesma, imaginando-se sendo chacoalhada por si mesma, numa tentativa de se fazer acordar, enquanto sorria um sorriso amarelo e fingia que estava ouvindo o que estavam lhe dizendo.

Precisou de um dia inteiro pra entender tudo aquilo e se pegou falando pra si sobre o que havia passado pela sua cabeça quando chegava no local:

- Pequenas decisões, grandes mudanças. Ao que tudo indica, mais uma página virada (sem que eu nem tivesse notado).

E completou:

- E…tempo. Taí! TEMPO! BENDITO (pra não dizer outra coisa) tempo!

Viviane Mclean


DEPOIS DE MUITO AMOR

A mulher somente despreza quem ela amou demais. Não é qualquer homem que merece, não é qualquer pessoa. Pede uma longa história de convivência, tentativas e vindas, mutilações e desculpas. O desprezo surge após longo desespero. É quando o desespero cansa, quando a dúvida não reabre mais a ferida.

É possível desprezar pai e mãe, ex-esposa ou ex-marido, daquele que se esperava tanto. Não se pode sentir desprezo por um desconhecido, por um colega de trabalho, por um amigo recente. O desprezo demora toda a vida, é outra vida. É nossa incrível capacidade de transformar o ente familiar num sujeito anônimo.

Assim que se torna desprezo, é irreversível, não é uma opinião que se troca, um princípio que se aperfeiçoa. Incorpora-se ao nosso caráter.

Desprezo não recebe promoção, não decresce com o tempo. Não existe como convencer seu portador a largá-lo. Não é algo que dominamos, tampouco gera orgulho, nunca será um troféu que se põe na estante.

Desprezo é uma casa que não será novamente habitada. Uma casa em inventário. Uma casa que ocupa um espaço, mas não conta.

É a medida do que não foi feito, uma régua do deserto. A saudade mede a falta. O desprezo mede a ausência.

O desprezo não costuma acontecer na adolescência, fase em que nada realmente acaba e toda vela de aniversário ainda teima em acender. É reservado aos adultos, desconfio que deflagre a velhice; vem de um amor abandonado. Trata-se de um mergulho corajoso ao pântano de si, desaconselhável aos corações doces e puros, representa a mais aterrorizante e ameaçadora experiência.

Indica uma intimidade perdida, solitária, uma intimidade que se soltou da raiz do voo.

O desprezo é um ódio morto. É quando o ódio não é mais correspondido.

Não significa que se aceitou o passado, que se tolera o futuro; é uma desistência. Uma espécie de serenidade da indiferença. Não desencadeia retaliação, não se tem mais vontade de reclamar, não se tem mais gana para ofender. Supera a ideia de fim, é a abolição do início.

Não desejaria isso para nenhum homem. O desprezado é mais do que um fantasma. Não é que morreu, sequer nasceu; seu nascimento foi anulado, ele deixa de existir.

O desprezo é um amor além do amor, muito além do amor. Não há como voltar dele.

Por Carpinejar


O amor não é uma coisa: ele é uma pessoa! O amor tem pés, braços, mãos, pernas, lábios, coração e cabeça. Às vezes parece sem pé nem cabeça, mas ele é muito humano e muito divino também.

O amor é muito criança e é muito adulto. Depende sob que ângulo é olhado.

O amor era infinito e depois foi parcelado, sofrendo limitações. O amor nunca nasceu. Ele sempre foi. Quando pela primeira vez ele sofrei limitações e foi ignorado, nasceu o ódio.

O ódio nasceu, porque ele não consegue ser infinito. O amor é privilégio de gente que é gente e tem conteúdo. O ódio é o bicão que só escolhe casas desabitadas e vazias e só tem acolhida em gente que não cresceu.

Criança não odeia. Só gente que esvaziou. Além disso, o ódio só pode nascer onde uma vez já houve amor.

O indivíduo mais rasteiro é aquele que se orgulha de não amar.

PE. Zézinho