Quem nasceu até o início dos anos 90, certamente lembra o quanto a infância e adolescência era diferente da de hoje em dia. Me lembro quando se fosse ontem, que na volta do colégio, lá pelas 18hs, era de lei se juntar com todos os amigos que moravam na mesma rua pra brincar, às vezes ainda com o uniforme do colégio, muitas vezes descalço, até tarde e de brincadeiras que talvez a galera de hoje nem saiba direito o que/como é. Pra ir pra casa, bastava minha mãe sair no portão e me chamar. Putz, como era gostoso isso. Só não foi gostoso quando desci uma rua de paralelepipedo rolando duas vezes no mesmo dia e fodi meus joelhos. Também não foi muito legal e quando desci uma outra rua, só que de asfalto mesmo, igualmente rolando e ralei meu corpo inteiro e MUITO menos quando caí de bicicleta depois de trombar com outra menina que também andava e quebrei meu pulso esquerdo em três lugares. Gente, como eu me divertia apesar dessas coisas. Aliás, tenho mil e uma histórias e olha que minha infância terminou super cedo por causa de trabalho.
Na adolescência, que era quando a gente tinha um pouco mais liberdade pra se afastar um pouco de casa, os meninos costumavam se juntar na casa de um dos amigos pra jogar video game, futebol, etc.
As meninas iam na casa umas das outras pra conversar sobre qualquer assunto - que geralmente girava em torno de meninos nessa época -, ver clipes na MTV das boy bands atuais, fazer cineminha com muito brigadeiro de panela…
Sempre senti falta de tudo isso depois que viver conectada se tornou mais frequente do que viver desconectada.
Tenho pra mim que até os anos 90 valorizava-se mais a presença e suas consequências, pois não era tão fácil se comunicar com o outro como é hoje em dia com todas as tecnologias que temos e a evolução das comunicações. Claro que essa evolução também trouxe suas dificuldades, que é, por exemplo, conhecer alguém de muito longe e não poder estar com ela, mas você pode falar com ela sempre que quiser, o que torna o sentimento de saudade, extremamente diferente do de antigamente.
Namorei com o Formagio quase 6 anos. Tínhamos um Fotolog e um pessoal costumava se encontrar em alguns pontos de São Paulo, tipo Ibirapuera e Avenida Paulista aos finais de semana pra se divertir e tirar mais fotos pra alimentar o perfil no site. Foi num desses rolês que nos conhecemos e semanas depois começamos a ficar e não nos largamos mais.
Nesses quase 6 anos, o namoro foi, naturalmente, como os de hoje em dia, ou seja, muito messenger, telefone e redes sociais. Fácil e prático, como boa parte das coisas hoje em dia. Porém, sempre pensei em como seria ter um relacionamento onde as coisas aconteciam mais pessoalmente do que virtualmente. Poxa, às vezes você quer contar alguma coisa, uma novidade e ver a expressão/reação da pessoa, quer discutir e falar todas as “verdades” olhando nos olhos do outro e isso não era TÃO permitido por causa da internet. Criaram-se obrigações que não precisavam ter sido criadas. Teve uma época em que eu quis “forçar” isso, essa presença e suas consequências, com um casamento (claro que não foi só por isso, mas era muito por isso também). Cogitamos, corremos atrás de várias coisas (casa, local da festa, vestido, etc), falamos pra algumas pessoas da família e amigos, mas por mais que o relacionamento tivesse sido longo, não era esse o caminho certo pro momento, por diversos motivos.
Nas últimas semanas (quase meses) tenho vivido muito isso tudo que eu sempre quis viver, especialmente com amigos e família e aconteceu de forma natural e sem planejamento. Me tem feito MUITO bem. Claro que há momentos em que eu acho certas atitudes absurdamente estranhas, mas imagino que é porque rola um conflito entre essas duas “fases” da minha vida e por ainda estar aprendendo muita coisa. Por mais “conectado” que o outro seja e desde MUITO antes de mim, as coisas acontecem de verdade pessoalmente e não existem regras ou obrigações e nem por isso as coisas deixam de ser fáceis e práticas. Por essa grande diferença de uma convivência pra outra, tenho aprendido coisas que eu precisava MUITO aprender e urgente. Quando acontece o encontro, a sensação da presença é diferente e se não nos “podarmos” todas as vezes o papo rola até amanhecer o dia.
Conhecer alguém assim, cara a cara, olho no olho, etc, pra mim, é muito melhor do que virtualmente, por tudo o que eu disse, mais um milhão de coisas e também porque você deixa de ter costumes virtuais em relação a vida do outro que costumava ter.
Se eu pudesse, separaria minha vida em duas partes:
1 - Vida pessoal ser vivida de forma “antiga” em relação a convivência com outras pessoas (mais amores, amigos e família, que são quem fazem alguma diferença na minha vida, nos meus sentimentos, etc do que o restante);
2 - Vida profissional ser vivida de forma “atual”, pois meu ganha pão depende de tudo o que a internet pode proporcionar =D
Seria animal, mas da forma que tá já tá bem bacana e suprindo bem o que eu tanto queria e precisava =)
Viviane Mclean

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