Deus é desses…

Sempre acreditei que anos pares não eram pra mim. Apesar de acreditar que anos ímpares eram, geralmente, melhores em todos os sentidos, decidi virar esse ano de forma diferente por conta de acontecimentos que eram bem recentes na época. Não quis planejar nada, não quis fazer “listinha” do que eu queria conquistar, do que eu achava que tinha que fazer etc e tudo isso afim de não criar expectativa em relação A NADA e muito menos me cobrar sobre qualquer coisa. Estava cansada de tudo isso. A única coisa que eu queria era finalmente viver, coisa que há tempos eu não sabia o que era - dispenso falar sobre culpados -, queria viver TUDO o que a vida me proporcionasse, independente de ser bom ou ruim. Fiz isso desde o primeiro dia do ano embora tenha trazido comigo uma bagagem de 2010, que confesso, foi um puta erro por conta de tudo o que eu queria pra esse ano.

Óbvio que viver dessa forma, inclusive sem pensar como eu normalmente pensava, traria consequências, principalmente ruins. Não me importei - nunca tive medo de viver porque poderia escorregar - e claro, várias merdas aconteceram, assim como muita coisa boa também (as visitas de Murphy não são tão frequentes como antes). 

Das coisas boas: Não levar a vida tão a sério por um período me fez muito bem. Resumidamente, posso dizer que me diverti MUITO e fui MUITO feliz em todos os momentos e sentidos com os amigos que reencontrei, inclusive da época de colégio e com as pessoas que conheci e convivi, independente do período. Ri de verdade, com vontade, como geralmente acontece com as crianças. Conheci música boa, aprendi a SENTIR música e deixar o corpo fazer o que ele quisesse depois disso. Acho que aprendi a dançar, ou pelo menos, perdi a vergonha (como se eu tivesse alguma). Conheci festas, baladas, bares e lugares do gênero que pouco antes eu jamais me permitiria, assim como coisas que fiz e que normalmente nunca faria e que acho que pela experiência bacana, vale levar comigo daqui em diante. Conheci muitos lugares fodas, viajei pra lugares tão fodas quanto. Soube o que era atenção e carinho de verdade, de todos os lados. Aprendi a abraçar de forma sincera. Aprendi a ser mais carinhosa com pessoas que eu gostava mas que tinha receio de demonstrar isso porque toda vez que demonstrei sentimentos demais, as pessoas fugiram de mim. Enfim. Ficaria falando tanto tempo sobre tudo de bom que aconteceu…

Das merdas que aconteceram: Uma eu já tentei falar aqui, num momento de imbecilidade ou sei lá como chamar isso, antes de, de fato, acontecer a merda. Falei entrelinhas, mas falei. Tem coisas que é melhor só a gente entender. Depois disso NUNCA consegui falar a respeito em qualquer lugar ou com qualquer pessoa e sei que nunca vou conseguir isso, principalmente sem chorar e me entristecer de forma profunda. Foi algo que me marcou demais, algo que eu JAMAIS imaginei que um dia fosse passar, mas que eu passei…coisas da vida e que um dia a gente vai ter que aceitar.

A segunda pior merda: Deixei o emprego mais foda que eu já tive na vida, com as pessoas mais bacanas, com oportunidades tão bacanas quanto, pra me dedicar a um projeto que eu confiei mais que tudo nesse mundo, ainda mais porque consequentemente ajudaria um projeto pessoal meu, que é muito mais que um projeto pessoal, é um sonho e desde sei lá quando. Infelizmente tinham seres mais do que pilantras por trás e, claro, quando chegou o momento, tomei a maior rasteira da minha vida. A propósito, fico triste de saber que um projeto tão bacana saiu de uma pessoa tão falsa, mentirosa, perversa, medíocre etc. Chego a acreditar que esse projeto não saiu dela mesmo, primeiro porque soube de coisas que me deixaram desconfiada disso e segundo porque não é possível que uma pessoa dessa tenha uma sacada assim. MAS OK!

Quem me conhece sabe o quanto valorizo minha vida profissional e o quanto me dedico, principalmente por ser nova e achar que eu tenho que ralar mesmo agora, pra descansar depois - se eu tiver tempo, portanto, isso acabou comigo de uma forma que até hoje, quando lembro, não consigo acreditar.

Tenho grandes responsabilidades na minha vida, pois mamãe e papai não seguram a minha barra em momento algum e olha que eu já passei por poucas e boas. Eles me ajudadam muito, mas geralmente com apoio moral e mais nada - embora eu ache que isso vale muito mais do que me permitir me agarrar na barra da saia da minha mãe, por exemplo. Não sou mais criança há muito tempo, mesmo antes de eu deixar realmente de ser criança e desde o dia que decidi sair de casa pra viver a minha vida, eles sempre deixaram claro que eu tinha que arcar com TUDO em relação à ela. Com eles foram assim e por mais difícil que tenha sido, no final o saldo foi positivo. Eu tinha que aprender a viver da mesma forma. Não acho que eles estão errados, MUITO pelo contrário. Agradeço todos os dias pelos pais que eu tenho e pela criação que eles me deram e tenho certeza que se fosse diferente do que foi/é, eu teria outra cabeça, outra personalidade e eu acho que a certa mesmo é a que eu tenho hoje.

Nessa época, que meio que foi seguida da primeira merda que eu citei, conheci o que realmente era depressão. Fiquei DIAS trancada dentro do quarto, sem nem abrir a janela e em cima da cama. Minha casa virou um…não sei nem como nomear. Não tinha ânimo PRA NADA. Não conseguia dormir, porque ficava o tempo todo matutando sobre o quanto eu era burra, ingênua e mais um monte de coisas e por ser assim que eu sofria pra caralho na vida. Chorava o tempo inteiro e não sei nem de onde saía tanta lágrima. Não comia, pois quando fico nervosa, preocupada e etc, a primeira coisa que acontece é meu estômago trancar e não importa o que eu faça, não consigo mudar isso até que eu fique tranquila novamente. Consequentemente sequei, sumi. Minhas roupas tão aqui, todas largas porque não consigo recuperar meu peso nem fodendo.

Foi uma fase muito difícil. Me sentia tão triste e decepcionada quanto eu me senti feliz e me diverti nas fases boas. Lado bom disso é que eu conseguia disfarçar MUITO bem. Todas as vezes que consegui sair de casa, eu conseguia agir como se nada estivesse acontecendo e embora eu desse algumas escorregadas no Twitter, que é o mural dos desabafos, até nas redes sociais eu conseguia MUITO isso. Já posso virar atriz? rs

Minha mãe já não sabia mais o que fazer, assim como uma tia minha que eu tenho um carinho enorme - é como se fosse uma mãe pra mim - que acompanhou tudo mesmo sem eu contar pra ela sobre essas coisas. Numa de nossas intermináveis conversas juntas, decidi que ia fazer alguma coisa pra reverter a situação, afinal, eu era a única pessoa que tinha “poder” pra isso. Com isso, também decidi que ia me desfazer da bagagem que eu estava carregando, lá de 2010, que não estava me fazendo NADA bem também e ia parar de tomar remédio, afinal, não tomei ele pra ficar “doente”, então ia “me curar” sem ele também.

Com o passar dos dias as coisas foram melhorando. Não levantava da cama mas pelo menos abria a janela. Depois comecei a mover meus pauzinhos profissionalmente falando, depois comecei a fazer isso da minha mesa e quando me dei conta, já trabalhava cantando e dançando, como de costume. 

Escrevi tudo isso porque queria dar uma desabafada e contar pra alguém, em algum lugar, um pouco das fases desse ano que, pra mim, seria mais um ano bom. Não que ele não seja, pois aprendi MUITO com tudo isso, mas é que com tantos acontecimentos, ainda não sei como classificá-lo. De qualquer forma, ainda falta pouco menos que meio ano pela frente e muita coisa, tanto boa, quanto ruim, pode acontecer. A diferença é que o que já aconteceu acho que me preparou um pouco pro que vier. Pelo menos é o que eu espero, mesmo ainda não querendo esperar nada.

Não vou dizer que estou 100%, pois não estou e, portanto, eu estaria mentindo. Mas acredito que vai ficar e, pra mim, o mais importante é que fique, independente do tempo que demore.

Apesar dos medos que eu peguei, do ódio que eu tenho quando eu vejo pelo menos o nome das pessoas que me fizeram mal e coisas do tipo, eu estou começando a sentir a felicidade que eu sentia com os amigos, as badalações etc, só que hoje, isso vem como consequência de OUTROS focos e o mais bacana, é que vem dos focos que eu sempre quis ter, o que, porra, é mais do que ANIMAL!

Nada como esperar o tempo certo pras coisas acontecerem depois de você dar o primeiro passo, não?! Ultimamente tenho tido várias provas de que eu devo acreditar cada vez mais nesse tipo de coisa. Aliás, a ligação que eu recebi hoje é só mais uma prova dela, que também é uma prova de que Deus é desses…que faz hoje e a gente só entende amanhã.

Tks a lot, Lord!

Viviane Mclean 


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