Sabe aquela vontade de mudar toda a vida, num estalar de dedos? Ela está de volta depois de anos. Eu que pensei que ela jamais voltaria, ainda mais depois de ter resistido a tantos acontecimentos que caem como chuva meses a fio. Se fosse há algum tempo, certamente já teria mudado tudo logo pra me livrar de muita coisa, inclusive de lembranças e algumas convivências, mas acho que fui mais forte do que das outras vezes, a ponto de ter essa vontade somente agora - e isso não é fraqueza -, com o último acontecimento que julgo ter sido o pingo d’água que faltava pro copo transbordar. Engraçado é que geralmente quando isso acontece, quando essas vontades surgem, parece que o universo conspira absurdamente a favor e muita coisa acontece pra que tudo se torne realidade. Dessa vez não foi diferente.
Das outras vezes em que essa vontade veio me perturbar, consegui mudar tudo, inclusive de casa e cidade - que já era algo bastante difícil -, mas uma coisa eu não conseguia: Me desprender de pessoas que eu havia deixado pra trás, que geralmente eram família ou um amor… Foi aí que me peguei pensando no que me prendia aqui onde estou agora.
Surpreendentemente - ou não - me deparei com um NADA. Foi tão estranho, ainda mais porque pessoas sempre foram extremamente necessárias pra mim. Nunca soube o que era ficar sozinha e confesso que nunca quis saber também. Nasci numa família grande, cresci numa casa cheia de gente, sempre fui rodeada de muitas pessoas. Mas acho que os tapas que a vida me deu na cara nos últimos tempos fez com que eu me desprendesse demais das pessoas, de uma forma que acabei permitindo que elas também se desprendessem de mim. Triste? Não sei. Real? Certamente. Estava - acho que ainda estou - precisando ficar sozinha e talvez tenha passado do limite que me cabia. A gente nunca sabe qual é o limite pra nada até que se depare com situações que denunciam isso.
Lado ruim? Sinto falta de pessoas, de gargalhadas, de bate papos sem pretenções…
Lado bom? Acho que estou aprendendo a gostar da minha companhia e aprendendo a viver e conviver comigo mesma e mais ninguém, numa boa, da forma mais natural possível. Confesso que eu não sabia e nem achava que isso era possível.
Atualmente acho que um dos motivos pela minha vontade de mudar, na verdade, é achar que aqui não é meu lugar e uma proposta só me fez ter mais certeza disso. Acho que esse é o momento perfeito pra mudar totalmente de ares e meio que começar a vida do zero conhecendo outras pessoas, outra cultura, outra rotina…
Espero e QUERO me adaptar a ponto de esse lugar se tornar O MEU lugar e eu não querer mais voltar pra ficar, principalmente por ter algo ou alguém me esperando. Sem dúvida é uma das primeiras coisas que vou me permitir. Acho que já chega de ter medo. Finalmente estou prestes a realizar um sonho antigo (ok, não tão antigo, desde 2009, que foi quando conheci Buenos Aires e surgiu em mim uma vontade imensa de viver fora de SP, do Brasil) e vou aproveitar o máximo que eu puder dele, tornando minha vida exatamente o que eu quero pra mim em todas as partes que eu puder.
Acho que estava faltando esse “empurrãozinho” da vida, esse tapa pra que eu acorde em N situações, essa injeção de adrenalina, de que em breve tudo vai ser novo de novo, enfim, pra que uma leve animação tomasse conta de mim, dos meus dias pra a cada coisa que eu julgar ruim que acontecer, eu poder dizer mentalmente: Calma, Viviane. Falta pouco. Já já tudo isso fará parte de um passado mais que distante, literalmente.
Talvez seja hora de recomeçar, também, minha vida virtual. Tudo novo de novo MESMO. Até lá pensarei.
Viviane Mclean

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